Emerson Alexandre do Prado: o faxineiro que mantém uma ONG com salário de R$ 880

O tempo de Emerson Alexandre do Prado, 39 anos, estava contado naquela manhã de sábado: bateria o cartão de ponto às 12h30.

Sua primeira missão era lavar os dois banheiros (masculino e feminino) no hipermercado onde trabalha como faxineiro em Suzano, cidade da Grande São Paulo.

Antes de começar a trabalhar, marcamos um bate-papo no estacionamento do estabelecimento, mais precisamente às 10h30. “Eu ainda tenho que ir ao centro da cidade para carregar o meu cartão BOM [Bilhete Ônibus Metropolitano]”, explicou enquanto ria.

Emerson, também conhecido como Alexandre, está acostumado com as horas contadas rigorosamente em seu dia a dia. Além do trabalho diário, durante a semana, ele corre atrás de donativos para serem entregues em orfanatos e asilos da região do Alto Tietê.

No final da noite, com a ajuda de voluntários, ainda tem tempo para entregar uma sopa às pessoas em situação de rua.

O sonho do faxineiro é claro: ver sua ONG prosperar: “Não quero dinheiro. Não quero autopromoção. Meu sonho é ver as doações aumentarem. Com mais doações, eu posso ajudar mais pessoas”, prevê olhando para horizonte de carros estacionados no amplo espaço entre o Hipermercado Davó e o Suzano Shopping.

 
“Não quero dinheiro. Não quero autopromoção. Meu sonho é ver as doações aumentarem”. (Foto: Douglas Pires)

A ONG nasceu quando ele tinha 13 anos, em 1990. A base foi um clube de Ciências criado por alunos da Escola Estadual Leda Fernandes Lopes, no bairro Vila Maria de Maggi, em Suzano.

A mãe de Emerson trabalhava na escola e ele recebia bastante incentivo dos professores. “O grupo de Ciências também começou a fazer trabalhos sociais. Nesta época, fui convidado a participar de um trabalho social com o Betinho. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente”, diz.

Desde então, Emerson não parou mais.

Foi driblando as dificuldades, principalmente a falta de dinheiro, e mantendo a assistência que até hoje dá às entidades que dependem de doações.

“Um amigo da época da escola está comigo até hoje. É o Ricardo. Foi ele que deu o nome para nossa ONG. Ela se chama Science, que é Ciências em inglês. Atualmente, fazemos doações em creches de Suzano, Sociedade de Amparo Ao Menor Paulo de Tarso, em Poá. Também fazemos visitas no asilo São Vicente de Paula. Geralmente estas visitas ocorrem aos domingos”.

Durante a entrega do sopão na madrugada, o grupo de voluntários tem um só objetivo: matar a fome e o frio de pessoas. A sopa é preparada em sua casa, no bairro Miguel Badra. De lá, o grupo se reúne e sai pelas ruas da cidade.

“Nós encontramos moradores de rua e prostitutas. Não estamos lá para julgar e sim para ajudar essas pessoas. Nós alimentamos quem precisa”.

Toda essa estrutura de solidariedade depende dos R$ 880 mensais recebidos pelo faxineiro. “Quando eu recebo separo tudo em envelopes. Cada envelope é destinado para alguma coisa. Eu tenho uma vida simples e está de bom tamanho. Como pouco, sabia? Minha marmita é bem pouquinho. Não tenho luxo”

“Não tenho luxo”. (Foto: Douglas Pires)

Recentemente, foi procurado por um político importante do Alto Tietê:

“Ele apertou a minha mão e disse que me acompanha pelo Facebook. Pediu para eu procurá-lo em seu escritório, mas eu não fui, não. Eu não quero me envolver com política. As pessoas têm que aprender a votar certo. Será que alguém vai lembrar do preço atual do feijão na hora que votar agora em outubro?”.

Emerson é o filho caçula de uma família de seis irmãos. Viveu uma infância difícil. O pai, já falecido, agredia a mãe diante dos filhos.

Havia ainda mais um obstáculo: a fome. Não tinham o que comer: “Eu bebia água com açúcar no café da manhã”, relembra.

Em vez de revolta, Emerson foi atrás de uma saída. “Eu queria ter brinquedos e não podia. Sabe o que eu fazia? Eu mesmo os construía com material reciclável. Fazia aviãozinho e também bonequinha para minha irmã”, diz.

Talvez a dificuldade acabou se tornando uma aliada.

Emerson não reclama da vida. Nossa conversa durou pouco mais de uma hora e em nenhum momento ele fez lamentações. Muito pelo contrário.

O faxineiro, que ficou quase todo o tempo da entrevista com as mãos nos bolsos da blusa de moletom azul marinho, lança um um olhar esperançoso na direção do futuro. “Eu recebi muito apoio dos professores da escola onde minha mãe trabalhou. É que depois de um tempo nós nos tornamos caseiros da escola esse foi o meu ambiente na infância e juventude. Tive uma boa formação. Eles [professores] me ajudaram nesta formação”.

Emerson Alexandre do Prado. (Foto: Douglas Pires)

Em 2013 a ONG quase parou as atividades. O pai de Alexandre morreu em maio daquele ano. “Eu perdoei meu pai por tudo o que passamos na infância. Todo filho perdoa o pai. A morte dele foi difícil. Na época o caso foi parar na mídia pois houve uma suspeita de erro médico. Bom, o caso está na Justiça”.

Atualmente, o presidente da ONG usa o Facebook para ajudar a divulgar os trabalhos sociais. É essa a sua principal ferramenta para fazer com que as pessoas conheçam seu projeto. Já são 100 colaboradores, por exemplo.

Depois de lavar os banheiros, naquele sábado, Emerson ainda faria a limpeza do setor de hortifruti e o estacionamento.

Durante o resto do dia, ficaria responsável por manter a organização da loja até às 22h. “Eu gosto de ser faxineiro. Sinto prazer fazendo isso”, finaliza.

A matrícula

Lembro como se fosse hoje.

Era algum dia do segundo semestre de 1.983. Tinha 6 anos e minha mãe 31.
Estávamos em uma fila no pátio da Escola Marques Figueira, no centro de Suzano. Faltava pouco para minha matricula na 1ª série ser efetivada. Nada de computadores. Um carimbo em um papel e a informação: “As aulas começam no dia…”. Deu frio na barriga e minha mãe me tranquilizou: “Você não fez pré-escola, mas logo irá se acostumar com a escola”, explicou.

Naquela manhã, naquela fila, me lembro ainda de uma senhora de pele negra. Tinha um lenço nos cabelos e uma cara tranquila.
Meses depois, o primeiro dia foi normal. Fiquei ansioso, mas nada que me fizesse voltar para casa como ocorreu com algumas crianças. Sentei em uma fileira lá no canto esquerdo da sala. Se não me engano, as aulas começavam às 8h.

Poucos minutos após o início da minha vida escolar, vi meu pai na porta da sala. Ele tinha trabalhado à noite inteira em uma metalúrgica em Mogi das Cruzes e, antes de ir para casa (morávamos ali perto da escola), passou para ver o seu primeiro filho, em seu primeiro dia na escola.

A professora era Claudete Diniz; ela e muitos dos meus coleguinhas de sala ainda circulam por Suzano nos dias atuais. Estamos sempre nos cruzando pelas ruas. Isso tem se tornardo cada vez mais frequente em minha rotina, desde que passei a trabalhar em Suzano. Nos últimos 12 anos, minha vida profissional se passou em Mogi das Cruzes e em São Paulo.

A rotina mudou. Tem vez que vou para o trabalho à pé. E a rua Sara Cooper, a rua da Escola Marques Figueira, faz parte do meu trajeto. Recentemente, passando bem em frente ao colégio, me deparei com o Francisco, um amigo da escola. Ele ainda mora na mesma casa, bem em frente ao Marques Figueira. Nos falamos rapidamente ali na calçada, como se estivéssemos atrasados para entrar na aula em uma manhã de vento gelado de outono. Aquela terça-feira me fez voltar à 1983, o dia da minha matrícula.

A senhora de pele negra que estava na fila, de lenço nos cabelos, é a mãe do meu colega Francisco.

Café na padoca

“Tem um lugar ali, ó”, indicou o copeiro da padoca de nariz fino e cara sorridente. Era 7h25. Minha percepção periférica ainda estava em “loading” e eu em pé queimando o beiço no café com leite fumegante (ligeiramente mais escuro). Nem tinha percebido um banco vazio no meio do balcão lotado da padoca suzanense naquela manhã.

As pessoas falam alto logo cedo. As vozes se misturavam com chiado da calefação na chapa quente. Mais duas fatias de queijo mussarela derretiam. O copeiro de nariz fino cumprimentou uma pessoa dois lugares à minha esquerda. E eu também conheço o sujeito cumprimentado. “Cara, me desculpe, estou meio dormindo ainda”, me justifiquei com o amigo barbudo.

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Tenho mania de ficar olhando para um lugar fixamente quando ainda tenho sono. Na verdade, diferente desta situação da padoca, eu também gosto de conversar logo cedo. Principalmente quando estou em casa com minha esposa. Mas naquele dia, após poucas horas de sono, eu ainda estava quieto.

A manteiga derretida no pão francês me chamou a atenção. Eu não gosto de muita manteiga derretida. Mas nem reclamei. O copeiro atende ao lado de uma moça sorridente e uma senhora magrinha.  Quem cuida da chapa é um senhor com sotaque nordestino. Os quatro são bem legais. Conhecem vários clientes pelo nome. Aquela quarta-feira era o segundo dia que eu tomava café ali cedinho. No dia anterior, o copeiro tentava descrever sua aparência na infância. “Eu era mais magro que este dedo aqui”, mostrou o anelar esquerdo. Hoje ele ostenta uma barriguinha sobre o avental vermelho.

Já na quinta-feira ele fez o seguinte comentário com um dos clientes do balcão lotado: “Cara, a segunda temporada é bem melhor”, Um fragmento de conversa. A avaliação de alguma série no Netflix. E é assim que eu começo assistir séries. Sempre após a indicação de alguém. Mas nem percebi sobre qual eles estavam falando.

Fui mais uns dois dias seguidos lá na padoca. Num desses pensei em pedir um misto quente, mas desisti em cima da hora. E fui de pão com manteiga mesmo. Comi bem devagar. Mirei no malabares do copeiro de nariz fino durante a lavagem de copos. Foram 10 seguidos enquanto eu ouvia, de novo, o chiado forte da chapa.

Tudo o que o copeiro pede o cara da chapa entende. Às vezes as demandas aumentam de repente, e ele, o cara da chapa, não esquece. E nem fica bravo. E nem diz não!

Antes de ir embora eu resolvi pedir uma garrafa d’água para levar na mochila:

– Quero uma água, por favor

– Ali na geladeira.

– Não achei.

E o copeiro:

– Então zerou. Vou ficar devendo.

Foi o primeiro não que eu recebi dentro daquela padoca, rs!

Pluto

Pluto é um cachorro marrom. Manso e brincalhão. Tem uma pele firme forrada por uma rígida musculatura. Característica de um animal que ainda não completou nem 5 anos de idade. Pluto cumprimenta as pessoas. Tem olhos alegres. Fica em pé e apoia suas duas patas dianteiras na roupa limpa de quem chega. Mesmo que elas, as patas, estejam lameadas. Pluto parece que vive sorrindo. Se fosse humano, pareceria com um daqueles atores globais do seriado Malhação.

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A primeira vez que eu o vi ele sorriu pra mim. Ficou de pé na porta do meu carro. Apoiou uma das patas no meu ombro. Eu estava de passagem. Foi no finalzinho do ano passado. Naquele dia de dezembro, Pluto me ganhou. Havia 9 filhotes o aguardando, mas segundo testemunhas, ele nem dava muita atenção pros cachorrinhos. Na verdade, aquele cachorrão marrom só queria andar por aí. Seu prazer: ir atrás de rabo de saia.

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Trata-se de um o cachorro de raça não definida. O nome Pluto é sim uma referência ao personagem de Walt Disney. O cão marrom de pernas cumpridas apareceu um dia em uma empresa metalúrgica em Suzano, no bairro Sol Nascente. Tinha algumas cicatrizes. Manso e faminto. Nesta mesma empresa já vivia uma cachorra, a Mel. Também marrom, cor de Mel, rs! Ela, mais velha e brava (nada simpática), surpreendeu a todos quando disse: “Pluto, pode morar aqui. Eu te aceito”.

Foi algo inédito. O povo dizia que todo e qualquer cão que um dia se aproximou daquela empresa foi posto pra correr pela Mel. E por que Pluto foi aceito de imediato? Nasceu uma amizade. Talvez uma amizade colorida.

Mel ficou prenha. Deu à luz. 10 filhotes, mas, infelizmente um deles morreu. Ficaram 9 e, dois deles, eram iguais ao Pluto. Manja aquela mancha escura nas costas marrom?

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A família estava completa. Mel só dava de mamar e Pluto continuava dando as suas escapulidas atrás de rabo de saia. Certo dia foi visto no distrito de Palmeiras, zona rural de Suzano. Mas, no dia seguinte, estava de volta à sua casa, na sede da empresa no Jardim Sol Nascente.

Os filhotes foram crescendo e Pluto mudou um pouco sua personalidade. Dá impressão que se tornou um cão mais sério. Os desaparecimentos (um ou dois dias) ficaram mais frequentes. Não sei se tem algo a ver com o nascimento dos filhos, mas…

Já em janeiro, a foto dos cachorrinhos foi publicada em uma rede social. Resultado: todos, já com 45 dias de vida, foram adotados. Ficaram apenas os dois na empresa: Pluto e Mel. Teve um dia que eu passei lá e vi os dois tomando sol no pátio. Foi a última vez que me encontrei com Pluto. Dias depois, ele, como de costume, desapareceu. Foi visto perto do shopping de Suzano. Mais tarde, naquele mesmo dia, Pluto estava no Jardim Colorado e, desde então, não foi mais visto.

Pluto está desaparecido desde o dia 11 de janeiro.

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Paninho

Hoje minha cachorrinha Chanel não quis atender ao meu pedido. “Fia, pega o paninho”. E ela apenas ficou me olhando com aqueles olhos marrons cheios de vida.  Nós brincamos assim desde quando ela era pequenininha. Ela corre até aquele pedaço de tecido, que já tinha sido uma camiseta, e volta com ele na boca. Como um troféu.

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No entanto, hoje, na última sexta-feira do ano, ela não foi previsível. Não quis pegar pano nenhum. O fato rendeu dois áudios de WhatsApp entre eu e minha querida mãe.

Sabe quando os cães adestrados não fazem o que o dono pede em um programa ao vivo de TV? Foi a mesma coisa. A espectadora era a minha esposa Carol. “Eu peço para ela pegar o pano e ela o traz pra mim. Você vai ver”, prometi. Em vão. Todos riram. Inclusive a cachorra. Como diz meu irmão Rafael: “nada é certeza”.

Somos surpreendidos a todo momento. Esse é o bacana da vida. As surpresas. Os novos desafios. O imprevisível…

Hoje eu despertei cedo. Tive um compromisso e, antes das 6h30, a água morna do chuveiro já estava caindo na minha cabeça sem cabelos. O banho matinal é o como um renascer.

Talvez a cachorrinha Chanel não tenha ficado com preguiça de pegar o paninho como eu imaginei. Acho que ela quis agir como os gatos e pensou. “Não preciso ficar pegando esse pano demonstrar meu amor”.

Ela tem razão.

E que 2017 seja um novo renascer!

Um copo de água, um gancho e um emprego

São 21h01. Quarta-feira.
Hoje não tem futebol depois da novela. Agora pouco vi a Globo anunciar um programa musical. Não me interessei. Aliás, nem futebol eu queria ver. Estou sentando no sofá com o notebook no colo. O aparelho esquenta a minha perna esquerda. Por enquanto a quentura não incomoda. Estou descalço passando os pés no tapete macio. Não tá frio nem calor. Mas tem gente sentindo frio, tenho certeza.

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A repórter Zileide Silva está na TV agora ao vivo de Brasília. Ela disse algo sobre Renan Calheiros. Não estou nem aí para ele. É sério. A última pessoa com a qual eu me preocuparia agora é este sujeito. Na verdade, neste momento eu desejo três coisas: um copo de água, um assunto bom para escrever aqui no blog e um emprego.

Esta semana fui pego de surpresa. Sempre tenho uma gaveta – um ou dois textos sobrando para publicar aqui no blog. Mas desta vez a fonte secou. Costumo publicar um por semana e, desde segunda-feira, estou atento aos meus pensamentos em busca de um gancho, um assunto, um gatilho que me faça redigir mais uma de minhas história.  O texto nasce mais ou menos assim: o gancho surge e logo monto a história na cabeça (começo, meio e fim). Faço umas anotações (caso esteja na rua). Chego em casa, pego o computador e mando bala. Mas pela primeira vez, em três anos de blog, o gancho não veio.

Terça-feira fomos ao hospital Luzia de Pinho Melo. Era dia de quimioterapia da minha mãe. Minha tia Janete, que está ao nosso lado nesta batalha contra o câncer de mamãe, disse no carro: “O caminho de ida é sempre mais comprido que o da volta”. Pensei que isso poderia ser um gancho. Até lembrei de quando fui à uma excursão para o zoo em um ônibus verde antigo da Prefeitura de Suzano. Tinha 8 anos. Mas não rolou.

Neste mesmo dia, à noite, o personagem de uma novela disse com sotaque espanhol. “Homem de verdade é aquele que tem coragem de chorar”. E logo recordei do dia do meu casamento, há pouco mais de um mês. Eu chorei hein! Peguei o celular e tentei escrever algo, mas não veio o gancho. Vi pela centésima vez o clip do casamento editado pelo amigo Leandro. Profissional de ponta. Em breve divulgarei este material no Facebook.

“Douglas, você está quieto”, questionou minha esposa Carol. Ela tem razão. Estava pensativo. Procurando uma pauta nas gavetas da minha mente.

E eu respondi assim: “Amor, estou pensando em algo para escrever no blog, mas desta vez não surgiu nenhum assunto”. Ela riu. Eu também.  Aí o gancho surgiu. “Vou escrever sobre o fato de não ter nada para escrever”, comemorei. Então fui à cozinha, bebi um copo de água e pensei. “Das três coisas que eu desejava, agora, só falta uma, o emprego”.

A saga prossegue!